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Diagnostico psicopedagogico nas dificuldades de aprendizagem.



 
Comentado por Ivan Pereira.


 O diagnostico psicopedagogico é comparado a um processo de investigação, assemelhando a um detetive a procura de pistas. Centrando todo o processo de aprendizagem, observando os fatores envolvidos. É uma intervenção, pois o psicopedagogo tem de interagir com o cliente, a família e a escola (Rubinstein, E.A intervenção psicopedagogica clinica. 1992).

O psicopedagogo pode usar como recurso a entrevista com a família, pode,também,investigar, o motivo da consulta,procurar conhecer a história de vida da criança, realizando a anamnese, entrevistar o cliente,fazer contato com a escola e outros profissionais que atendem a criança, manter os pais informados de seu desenvolvimento e da intervenção que está sendo realizada e encaminhar o caso para outros profissionais,quando necessário (RUBINSTEIN,1996)

Rubinstein, 1996,destaca que o diagnostico psicopedagogico clinico, deve-se concentrar no levantamento de hipóteses, verificarem o potencial e mobilizar o aprendiz, a escola e a família, para que possa haver uma construção de um olhar sobre o não aprender.

Os recursos disponíveis ao profissional constituem em instrumentos para a realização do diagnostico e da intervenção psicopedagogica. Os desejos incontidos no inconsciente podem ser manifestos sem os mecanismos de defesa, por meio dos jogos. Pode também fazer uso de desenhos brincadeiras, cabe ao psicopedagogo estar atento, observando o sujeito, analisando as mensagens, que forem manifestas pelas suas emoções.

“A origem do problema de aprendizagem não se encontra na estrutura individual. O sintoma se ancora em uma rede particular de vínculos familiares que se entrecruzam com uma também particular estrutura individual” ( FERNANDEZ,1990)

O papel do psicopedagogo diante das dificuldades de aprendizagem é fazer uma analise da situação para posteriormente poder diagnosticar os problemas e suas causas. Levantando hipóteses através de analise que o individuo apresenta. Ouvindo as queixas, do individuo, da família, da escola, e precisa fazer também um resgate da história de vida da pessoa, e importante também conhecer o sujeito e seus aspectos neurofisiológicos, afetivos cognitivos e sociais.

Os fatores envolvidos nos transtornos de aprendizagem são diversos, orgânicos, cognitivos, emocionais e ambientais, relacionados ates pólos de procedência, o individuo a família e a escola.

Em primeiro momento o psicopedagogo vai analisar os fatores envolvidos nos transtornos. O diagnostico da possibilidade e abre caminhos para uma possível intervenção e da inicio a um processo de superação das dificuldades. Num segundo momento o psicopedagogo iniciar o processo de intervenção junto a escola, promovendo mudanças que são necessárias, com orientação junto a própria escola e encaminhando a um trabalho clinico especializado.

Num terceiro, ao atuar com interlocutores entre o individuo, seus pais, e professores e especialistas, com o objetivo de proporcionar um espaço de confiança, segurança, tranqüilidade e prazer entre todos (APA, 1994)
Fernandez, 1990, afirma que o diagnostico, para o terapeuta deve ter a mesma função do que a rede para o equilibrista. E a base que dá suporte ao psicopedagogo para que seja feito o encaminhamento necessário e eficiente.

(Visca, 1987) nos informa que o diagnóstico começa com a consulta inicial dos pais ou do próprio paciente. Antes de se iniciar as sessões o sujeito faz-se uma entrevista contratual com a mãe e/ou o pai e /ou responsável, objetivando colher informações como:

Identificação da criança, nome, data de nascimento, filiação, endereço, nome da pessoa que cuida criança,escola que freqüenta,serie, turma, horário, nome da professora, irmãos, escolaridade dos irmãos e idade dos irmãos.

Motivo da consulta, procura do psicopedagogo e indicação, se ouve atendimento anterior, expectativa da família e da criança; esclarecimento sobre o trabalho pedagógico,definição do local,data e horário para a realização das sessões e honorários.

(Visca, 1991) propõe iniciar o diagnóstico com a EOCA e ñao com a anammese como fazem outros pesquisadores. Em seu argumento que ao iniciar com a entrevista dos pais, estes poderiam tentar impor sua opinião, sua ótica, de maneira consciente ou inconsciente, impedindo que o psicopedagogo tenha uma visão mais genuína do caso.

É importante observar também os aspectos que fornecerão um sistema de hipóteses a serem verificados no diagnostico em outros momentos, que são:

A temática-que é tudo aquilo que o sujeito diz, tendo sempre um aspecto manifesto e outro latente

A dinâmica- e o que o sujeito faz como gestos, postura corporal, tons de voz, maneira de pegar os materiais, de sentar, sendo estes aspectos tão ou mais relevantes e reveladores do que os comentários e o produto. O produto é tudo aquilo que o sujeito deixa no papel (ID, IBID, 1987, pag. 74).

Observa-se que outros profissionais acreditam que o diagnostico deva iniciar com a anammese como, por exemplo: Weiss (1994). Que propõe o diagnostico na seguinte seqüência entrevista familiar exploratória e seqüencial, anamnese, sessões lúdicas centradas na aprendizagem, complementação com provas e testes,síntese diagnostica,prognostico e devolução e encaminhamento. Sendo que isso não altera o resultado do diagnóstico, porém é preciso que o profissional acredite na linha que escolheu para realizar o seu trabalho.

Uma das maneiras de iniciar a entrevista é falando sobre a gravidez, pré natal, concepção do aluno. Estudos sobre psicologia pré natal e Peri natal vêm reforçar a importância desses momentos na vida do individuo e, de como estes aspectos inconscientes afetam a aprendizagem. Algumas circunstâncias do parto como falta de dilatação, cordão enrolado, emprego de fórceps, adiamento de intervenção de cesárea, costumam ser causa da destruição de células nervosas que não se reproduzem e também de posteriores transtornos, especialmente no nível de adequação perceptivo-motriz (PAIN, 1992, p.43).

É importante Perguntar se a gravidez foi desejada ou não, se ouve rejeição da família em relação a criança, pode –se caracterizar aspectos afetivos dos pais pelos filhos ou não.e importante saber também sobre as primeiras atividades não escolares, como:usar mamadeira,o copo, a andar, engantihar,andar em velocidade,com o objetivo de descobrir em que medida a família possibilita o desenvolvimento cognitivo da criança, desenvolvendo o equilíbrio entre assimilação e acomodação. (Weiss, 2003, pag.66)

De acordo com Pain,(1992) alguns pais retardam o desenvolvimento privando a criança de ter autonomia na fase em que já conseguiram, é importante saber se a mãe permitia a criança fazer as coisas sozinhas proporcionando o equilíbrio entre assimilação e acomodação. Existem também os casos de internalização prematura dos esquemas; Pain (1992) hiperacimilação, nesses casos os pais forçam as crianças a fazer certas coisas das quais não estão preparadas, sendo que seu organismo esta imaturo, não podendo haver assimilação.

De acordo com Weiss, deve fazer uma investigação minuciosa sobre a história clinica da criança, doenças, se foram tratadas, quais as conseqüências, laudos diferenciados, e possíveis seqüelas. É importante acompanhar a vida escolar do individuo, dentro do processo da anamminese, por exemplo, quando começou na escola, adaptação, rejeições, os aspectos positivos e negativos do processo da aprendizagem.

Nesse processo de investigação do diagnostico psicopedagogico, não existe nenhum caso igual ao outro, nem respostas prontas, é necessário ouvir as pessoas envolvidas, registrando com detalhes as falas, atitudes e comportamentos, além dos juízos proferidos para que posteriormente haja uma boa interpretação da conduta.

“As observações sobre o funcionamento cognitivo do aluno não são restritas às provas do diagnostico operatório; elas devem ser feitas ao longo do processo diagnostico. Na anamminese verifica-se com os pais como se deu essa construção e as distorções havidas no percurso” (Weiss, 2003, p.106)

Weiss aconselha a organizar os dados sobre o paciente em três áreas, que são: pedagógica, cognitiva, e afetivo social, a informação deve ser dada de forma lógica, coordenada e clara. O psicopedagogo deve observar o individuo como um todo, nos aspectos sensório motor, coordenação motora ampla, dominância lateral, desenvolvimento motor fino, traçado, desenho, aquisição de articulação de sons, organização mental, atenção e coordenação, aquisições de conceitos e raciocínio lógico matemático.

Os resultados de estudos apresentando o perfil de menores em situação limite relacionado a vivencia escolar, concluiu, sobretudo o auto conceito negativo, os conflitos de identidade, o desinteresse, o insucesso, a indisciplina e o abandono, indivíduos apáticos, violentos, com desinteresse e desmotivação pelos estudos. (ABPP, Pontes, 2009)

Em outra publicação, intitulada, as crianças institucionalizadas, de Oliveira e Camões, traz as seguintes informações: as crianças institucionalizadas são privadas do seu espaço subjetivo, e de seus conteúdos individuais, da realidade dos vínculos afetivos. São despojadas de experiências psicológicas da normalidade infantil. A sensação e de vazio, a dor, às vezes a indiferença, ou a perplexidade. São filhos da solidão... O sonho dessas crianças e ter uma mãe e um pai. E por não entenderem bem as angustias do mundo, a sua personalidade estão cheias de contradições.

Em outras fontes de registros, em que apresentam historias de vida familiar, que são marcadas negativamente, por fatores sociais, econômicos e afetivos. Com r4egistros de crianças que sofreram maus tratos, abandono, negligencia e rejeição pelos pais e familiares, e outras perdas dolorosas, como a morte de alguém com grande vinculo afetivo, esse rompimento evidentemente trouxe ainda mais sofrimento.

De acordo com os trabalhos de pesquisas de alunos da (Unicor, 2009) realizado com crianças institucionalizadas com diagnostico psicopedagogico de dificuldades de aprendizagem ou problemas de aprendizagem. Essas crianças não encontraram espaço de acolhimento nas escolas, e pelos educadores que ali atuavam. Relacionando as queixas apresentadas e fazendo uma comparação com o diagnostico psicopedagogico, concluiu que a falta de vinculo foi determinante para o insucesso escolar desses alunos em estudos.

Todo diagnostico psicopedagogico e, em si uma investigação, daquilo que não está bem, em relação aquilo que se espera do individuo. Essa investigação surge com a queixa, trazida pela família escola ou o próprio individuo. Refere-se ao não aprender, o aprender com dificuldade ou lentamente, e até mesmo de revelar aquilo que ele não aprendeu, às vezes fugindo de situações de possível aprendizagem.

O diagnostico é dividido em duas etapas: avaliação: onde no primeiro momento existe a entrevista com os pais, posteriormente faz-se de quatro a seis entrevistas com o sujeito, com a aplicação de provas e testes, após uma nova entrevista de devolução para os pais, onde ocorre a indicação ou não da intervenção.

A intervenção é o tratamento terapêutico, com tempo indeterminado, depende das causas que levaram as dificuldades diagnosticadas durante a avaliação. Podendo ser feita avaliações complementares, psicológicas, neurológicas, fono, oftálmicas, otorrino.

São indicados para a avaliação e a intervenção psicopedagogica, sujeitos que apresentam suspeitas de TDAH, DA, dificuldades de aprendizagem, transtornos,dificuldade de concentração,memória ,percepção espacial e temporal, dificuldades psicomotoras, e outras.( Dennise,Pianelti,2005)

(Weiss, p.30,) declara que o sucesso de um diagnostico, não reside no grande numero de instrumentos utilizados, mas na competência e na habilidade do terapeuta em explorar a multiplicidade de aspectos revelados em cada situação.

2 comentários:

  1. ola,gostária mt de ter ajuda para um diagnostico psicopedagogo pra crianças com próblemas de aprendizagem.obg

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  2. Aprender muito pk, se quando mais se sabe, se esquece1

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